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Precisamos falar sobre Kim Mingyu

É um esquema de pirâmide: começa com você ouvindo uma música divertida do BTS e quando vê tá chorando de saudade por 7 homens, que você nunca viu na vida, passando dois anos no exército.  Foi assim que começou em 2021 e percebi que em 2024 continua a mesma coisa. Exceto que eles se multiplicaram. São muitos grupos, muitos "idols", muitos cabelos coloridos, 1ª, 2ª 3ª, 4ª e 5ª geração.  Por aqui, ouvimos mais os grupos da 3° geração e foi aí que surgiu meu atual problema, um problema que tem nome, altura e beleza, muita beleza.  Nome: Kim Mingyu . Idade: 27 anos. Atura: 1,87m. Grupo: Seventeen.          Sonhei com Mingyu na madrugada de sábado. Uma pele cor de mel, os cabelos pretos e os olhos castanhos. Braços torneados, parece que feitos a mão, o sorriso mais bonito do mundo. Paul McCartney também estava no meu sonho, mas vamos focar no Mingyu.  Era uma casa pequena,  baixa, onde ocorria uma festa com os amigos. Entre bebidas e música do...

Meia lua, lua cheia

Dona Cidália acordava todo dia as 7h da manhã, fazia o café de todo mundo e depois ficava esperando a “moça que trabalhava lá em casa” chegar para poder contar como tinha sido a novela e descobrir toda a vida da moça. Passavam horas conversando, as vezes me acordavam de tanto ti-ti-ti na cozinha. Dona Cidália gostava de Elis Regina, Tim Maia e Charlie Chaplin. Gostava também de Carlos Gardel e vez ou outra cantava um bolero pela casa. Toda quarta-feira assistia futebol. Deus o livre perder o futebol de quarta-feira! O atacante do time que ela estava torcendo contra entrava com a bola na grande área e ela já gritava antes mesmo da finalização: “pra fora, pra fora, pra fora!” E como se estivessem a ouvindo, a bola obedecia e ia pra fora. “Dá má sorte gritar gol antes da bola entrar”, dizia me olhando e mexendo os polegares em círculos. As vezes torcia para o Botafogo, mas sempre torcia para o Vasco. Dona Cidália tinha mania de comer castanha-do-pará quebrada atrás da porta da c...

Correio elegante II

D., Escrevo depois de ler tuas palavras sobre terras estrangeiras e amor e te digo, as terras que ando explorando dentro de mim são lindas. E floridas. Desde a última vez que nos escrevemos, eu andava meio duvidosa de que seria possível ou não encontrar amos dentro de mim e você me lembrou que é bem possível sim. Li teu texto e automaticamente lembrei de “Dê um rolê” dos Novos Baianos em que eles dizem: “Eu não tenho nada e antes de você ser, eu sou (...) Eu sou amor da cabeça aos pés” E Sou. Sou muito amor, sou todo amor do mundo dentro de mim. Amor não precisa de destinatário, porque amor é o próprio remetente. Esses dias andei meio que me amando. Lembro de um email que você me escreveu tem uns 4 anos, em que você dizia que botou o vestido mais bonito, pintou os lábios de vermelho e saiu em direção ao céu de Budapeste, livre e leve como sempre foi. Fiz isso por essas bandas amazônicas também: Chamei meu melhor amigo e fomos a um karaokê. Bebi, cantei, dancei, pulei. Che...

Correio Elegante

Querida L., Ler tuas palavras me fez lembrar que esses dias tenho pensando muito em amor e em seus diversos significados. Sempre achei que amor fosse algo além de, sabe? Além de nós, algo ou alguém, que no discurso do dia a dia fosse sempre objeto, complementando o sujeito que somos. Ocorreu-me então que sempre estive errada. E, correndo o risco de soar (ainda mais) terrivelmente clichê, te digo que amor é, e sempre foi, irrevogavelmente sujeito de qualquer oração que nos pertença. Amor somos nós. Amor não vem e não se vai, porque somos sujeito, verbo, objeto, a gramática inteira, desta coisa por tantas vezes sem nome que volta e meia nos toma por completo. Eu sou amor. Tu és amor. E amor que vem de amor, amor permanece. Te sentes perdida e sem rumo, como se o amor tivesse partido de ti e te deixado partida e sozinha, a mercê. Faz sentido. Porque te digo que amor é se perder num país estrangeiro no qual não falas a língua. Cada esquina é um lugar novo. Assustadoramente nov...

Outubrou!

Duas da Manhã de uma segunda-feira pós eleições. O Brasil desmoronando na cabeça das pessoas. Inúmeras incertezas, preocupações e medo do que nos espera no futuro. Só tem uma pessoa que aparentemente não está nem aí para nada disso: Meu vizinho que está ouvindo “Palavras” do Marcelo Wall, sentado no pátio da sua casa bebendo sua cerveja e sentindo um cheiro de maniçoba exalando de toda a rua e me lembrando que: É círio, Belém! Observo meu vizinho nessa madrugada sentado na cadeira branca de plástico, uma lata de Cerpa na mão e o radinho ecoando a batida do brega que entra pela meia janela aberta da minha sala. Na porta de entrada da casa dele, dá para ver um cartaz do círio colado pronto para saudar quem chegar, na porta da minha casa também tem e me dou conta que todas as casas da minha rua estão com o cartaz da santinha, seja na porta ou na parede, mas sem exceção, ela está lá. Um dia, já faz tempo, estava indo para o centro da cidade em um ônibus parado num engarrafamento ...

Obrigada, Pérola.

Faz tempo que tenho mania de passar madrugadas buscando música novas, bandas que eu me encontre ou algo que me deixa satisfeita. Tá fazendo uns 4 anos que a Dani, lá da Hungria, me perguntou: “Já ouviu Rubel?” e fácil assim, com uma pesquisa no Google, encontrei alguém que compartilhasse exatamente as mesmas dores de cotovelo que eu. Rubel só tinha lançado um álbum na época, o Pearl, e que álbum. Já começa com um “Lança o barco contra o mar, venha o vento que houver e se virar, nada”. Meu Deus, senti ali por 2014-2015 que ia ser treta. Era ano de TCC, fim do curso de jornalismo, mil aflições na cabeça, mais uma centena de dúvidas – Que até hoje seguem firmes por aqui- começaram as crises de ansiedade frequentes, mas tinha uma coisa no meio desse turbilhão de emoções que conseguia me deixar calma: Rubel. Para quem não conhece, é um jovem ariano carioca que se formou em cinema mas preferiu ser músico. Tem um tanto, a meu ver, de Marcelo Camelo e Caetano dos anos 70, junto com b...

Incômodos

“- Não te incomoda o fato de saber que a última pessoa que te beijou antes de cair nossa parede não fui eu, foi só mais uma outra na tua conta de garotas do bar?” Quando sentaram a beira da piscina, tarde da noite, e conversaram sobre todo tipo de assunto menos o que realmente importava naquele momento, ela arregalou o olho e enxergou o que sempre quis ver mas não conseguia: ele chorando. Não quis se precipitar, baixou a cabeça e esperou ele terminar de falar, chorando. E ele disse a ela que não ficasse com medo, porque o mundo era muito grande e tinha muita gente e muita vida e muita coisa. E ela concordou. Leu na camisa dele a palavra “hard” e era isso mesmo, difícil. Tão difícil que não imaginava o tanto de coisa que seria deixada para trás. Seguiu-se o passar das horas e o voar das corujas, que sobrevoavam baixo naquela noite, tão baixo que ele se assustou. “Não te beijo”, ele disse, “Não te beijo porque não quero levar mais tempo para te esquecer. Porque agora te vejo co...