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Incômodos

“- Não te incomoda o fato de saber que a última pessoa que te beijou antes de cair nossa parede não fui eu, foi só mais uma outra na tua conta de garotas do bar?” Quando sentaram a beira da piscina, tarde da noite, e conversaram sobre todo tipo de assunto menos o que realmente importava naquele momento, ela arregalou o olho e enxergou o que sempre quis ver mas não conseguia: ele chorando. Não quis se precipitar, baixou a cabeça e esperou ele terminar de falar, chorando. E ele disse a ela que não ficasse com medo, porque o mundo era muito grande e tinha muita gente e muita vida e muita coisa. E ela concordou. Leu na camisa dele a palavra “hard” e era isso mesmo, difícil. Tão difícil que não imaginava o tanto de coisa que seria deixada para trás. Seguiu-se o passar das horas e o voar das corujas, que sobrevoavam baixo naquela noite, tão baixo que ele se assustou. “Não te beijo”, ele disse, “Não te beijo porque não quero levar mais tempo para te esquecer. Porque agora te vejo co...

Uma história de amor, por favor!

Tem um fenômeno nessa vida que eu gosto muito de acompanhar, e acompanho olhando da janela, que é o mundo girando. Se a gente olha para o céu, vê as nuvens se movendo sempre para frente, elas têm formato de uma porção de coisas que só procurando muito a gente encontra. O que não percebemos é que esse movimento das nuvens vagando pela atmosfera é o mundo girando. Daí você está na praia tomando um sorvete, olha para o horizonte e vê um navio parado. Depois do sorvete você se joga no mar, empina uma pipa, lê um livro, pega um vento e quando vê o navio já está lá longe. O mundo já girou, o tempo já passou e você nem percebeu. Engraçado, né? Essa é a coisa que eu mais gosto nesse planeta (que é redondo, por isso gira). Quando isso vem acompanhado de uma história linda de amor, chega meu coração transborda de esperança. Essa semana fui ao casamento de dois amigos meus. Estudamos juntos o último ano do Ensino médio, onde eles se conheceram. Entre rodas de violão no intervalo, adedonha...

Sol em virgem

As pessoas estão sempre buscando algo em alguém. Ficamos anos da nossa vida procurando aqui e ali, entre rabos de saias, par de calças, pés de chinelo, alguma coisa que nos complete, que nos motive, que nos dê esperança de viver. Mas muitas vezes não notamos que tudo o que a gente precisa está dentro da nossa casa. Me dei conta de que quem eu mais preciso nesse mundo é da minha mãe e nem adianta eu olhar mais, minha mãe é primeira e a última a estar comigo. Me dei conta disso no último dia 1°. Eu e minha mãe já passamos por uns bocados e trocados. Primeiro que para eu nascer ela teve que fazer tratamento porque não podia engravidar. Fui mais que planejada, fui sonhada. Tive meu nome escolhido antes mesmo de nascer, num quarto de hotel em Copacabana. Nasci. Fiz um ano e peguei pneumonia. Fiquei na UTI, fiz cateterismo, tenho uma cicatriz na axila – que ora eu gosto por me lembrar que eu já venci essa bandida que é a morte, ora eu odeio por ser horrível de depilar ou botar uma rega...

Faltou

Ih, faltou. Faltou a roupa espalhada pela casa, a comida quente na panela, a colcha da cama revirada. Faltou prato e copo em cima da pia, sorvete no congelador, água no bebedouro. Faltou a mesa de centro da sala decorada, a cueca no cesto de roupa suja, o varal armado no quintal. Faltou juntar meus fios de cabelo do ralo do banheiro, a escova de dente usada dentro do espelho. Ih, faltou. Faltou eu te dar a nota de compras do supermercado, faltou comprar o presente da Michele, faltou ligar pra Karina e desejar feliz aniversário. Faltou comprar um sofá maior, fazer cafuné até as duas da manhã, ouvir a nova música do Two door cinema club. Faltou aquela viagem para ver seus pais, como estão seus irmãos? Faltou te dizer que eu acordei de madrugada porque o gato da vizinha estava miando no quintal e depois correu pelo telhado fazendo um barulho que parecia que estavam tentando invadir a casa. Faltou cobrir o bolo de chocolate com café que minha tia me ensinou a fazer só para quando tu che...

Até logo, Amor.

Tem vezes que a vida nos convence que nunca vai dar certo, aí você conhece alguém, ele sorri, você se apaixona e já era. Ele vai embora e você fica. Já tive três namoros sérios. O primeiro ainda na escola, no segundo ano. Andávamos de mãos dadas, nos beijávamos na frente do laboratório de física e só tínhamos o tempo entre o fim das aulas dele de manhã e o começo das minhas aulas à tarde para os amassos. Foi meu primeiro beijo. Noites a fio no MSN conversando sobre a vida, estudando a matéria e prevendo o dia seguinte de quanto tempo teríamos. Eu sempre me esforçava pra chegar mais cedo e poder passar mais tempo com ele. Daí eu me apaixonei por outra pessoa. Fui covarde a ponto de pedir pra minha prima terminar com ele por MSN, 1 mês depois do fim da copa de 2010. O segundo namoro foi em 2013/2014. Ele era bem mais novo do que eu, mas a gente se gostava bastante. Fugia pra casa do meu melhor amigo pra me encontrar com ele. Como eu estava na faculdade e ele tentando vestibular, nos...

Michael Jackson não morreu

Um dia Deus estava entediado naquele silêncio todo do céu e inventou uma das melhores coisas já feita na história dessa grande bola azul que todos habitamos: Música. Mais ainda, criou o Pop. Não satisfeito, criou Michael Jackson. Entre nuvens, estrelas e fadas, veio ao mundo o Rei do Pop e se tem uma coisa que eu concordo nesses 2018 anos de história da humanidade é que Michael Jackson foi e sempre será o melhor artista que pisou nessa terra cheia de defeitos e qualidades, de sininhos e Peter Pans. Não nasci no auge do sucesso dele lá pelos anos 80, mas tenho tanta influência do Michael em mim que as vezes me pego pensando como eu queria ter minha adolescência nessa década só para poder dizer: “Viu o clipe de Thriller estrear no Fantástico ontem? Foi supimpa!”, “E aqueles zumbis? Aquela jaqueta vermelha? Deus! Amo Michael Jackson, acho que vou dançar nos meus quinze anos mês que vem.” Quando minha mãe tinha os mesmos 23 anos que eu tenho hoje ela amava a tríplice coroa do pop...

Across the Universe

Estranho pensar que anos atrás éramos todos poeira cósmica vagando pelo extenso universo. De acordo com a ciência, começamos de uma explosão. De acordo com Deus, começamos dele mesmo e da costela de alguém. A verdade é que ninguém concorda com nada. Se viemos pra cá, se vamos pra lá, tudo se torna irrelevante se olharmos de dentro pra fora nessa via Láctea inacabada de sentimentos dentro da gente. É como uma semente plantada no semiárido. Começa ali, pequena, e aí a gente rega. Rega, joga adubo, falta a água da chuva, falta luz do sol, mas ela tá lá, lutando pela sua vida e sua fotossíntese. Tem horas que faz frio, que parece que a gente sente todos os ossos do corpo tremendo por dentro. Parece que somos feitos fios de eletricidade ligados a energia pública e dá vontade de arrancar os fios da tomada e desligar. Nossos músculos, nossa mente, articulações e todas as parte do corpo desobedecem, ou melhor, obedecem a si mesmo. Independe do querer, viramos o sentir. Sentimos o gos...