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Futebol, Bolo de Fubá e Born this way

O futebol tem cara de ser inclusivo. Crianças, jovens e adultos. Negros, Brancos e Asiáticos. Flamenguistas, Vascaínos e Corinthianos. Mas tem dois grupos que – Oh, meu grande rei Pelé ­– não se encaixam com tanta facilidade nesse quebra cabeça de inclusão que teoricamente é o futebol: São as mulheres e os LGBTQ+, especificamente os homens (aspas) “afeminados”. Em 2018, o homem já chegou a Lua, já fez filme de romance entre uma mulher e um peixe, já tirou presidente eleito por maioria democrática do poder, mas não supera o fato de chamar de “bicha” os jogadores do time adversário ou de “viado” a torcida do São Paulo. Cês juram? 2018, gente! Claro que isso se dá por aquele clássico ditado, completamente demodé , “Futebol é coisa de menino”. Mas ora vejam só, se é coisa de menino, como explicam a Marta ter sido eleita 5 vezes seguidas a melhor jogadora de futebol do mundo? Que graça teria para uma mulher ficar correndo atrás de uma bola? Que vá dançar balé no Bolshoi ou partici...

A breguisse do amor no século 21

Eu arranjei um namorado. Não, não foi semana passada ou a uma semana atrás. Fez 2 anos em Abril. Ah, o fatídico feriado de Tiradentes, dois dias depois e eu já tinha esquecido o flerte do carnaval e já tava enroscada de amores pelo Marujo número 2. Aliás, nem eu sabia que tinha opção em escolher alguém da marinha. A única diferença chamativa entre os dois era que o Marujo 1 se chamava Lucas e o 2 tinha o nome de Luca. Esse último, por sinal, é o meu namorado. Não lembro de mais nada que possa ter me chamado atenção assim logo de cara. Uma letra a menos no nome pra mim já era uma diferença enorme. Ah, lembrei de outra: Meu namorado parece com o Finn Hudson de Glee e com o protagonista da novela das 6 na época, o que fez minha tia dar o apelido carinhoso pra ele de Candinho. Outra diferença: Ele ficava falando comigo até as 4 horas da manhã. Eita, lembrei de outra: Ele mede 1,80 cm e o outro um hobbit que fugiu da última batalha na Terra Média. Aliás, eles eram bem diferentes, mas ...

Doce Daniella

Daniella apareceu num dos enroscos que a vida dá e a gente nem percebe. Cabelo na touca de lã a um oceano de distância de mim. Morava na Húngria, apesar de ser da Amazônia. Conhecia neve pela primeira vez e ouvia Los Hermanos, trocava algumas palavras no twitter e eu a observava de longe. É difícil entender porque as pessoas se tornam amigas, quando se vê, lá estamos contando sobre o churrasco de domingo para outra pessoa que conhecemos pelos ônibus. No começo queria que ela ficasse na Húngria. Estava apaixonada pelo ex-namorado dela e ela sofria, ainda sem eu saber, o mesmo que eu. Achei, assim, sem querer achar, observei sem querer observar, tomei coragem de falar. Percebi que tínhamos muito em comum. Caio Fernando Abreu e Clarice Lispector nos aproximaram mais que seu Ex. Era 2014, ano de copa do mundo e eleições, ano do 7x1 também. Ano que eu aprendi que não vale sofrer por homem nenhum, nem brigar, nem se emburrar, nem descontar toda nossa raiva em alguém que não merece. Que...

Saiba que o meu grande amor hoje vai se casar

Idos de 2009. O ápice da minha adolescência, 15 anos incompletos, espinhas no queixo, cabelo grande e aparelho nos dentes. Quando entrei na biblioteca do colégio para devolver meu livro do Machado de Assis, ele estava sentado me encarando. Um livro aberto na mesa e olhar fixo na porta. Jamais me esqueço, estava tocando “Versos simples” do Chimarruts (ainda odeio essa música, desculpa Chimarruts). Foi o fim ou talvez o começo. Desde esse dia passei horas o observando de longe, esperando uma chance de falar com ele, um momento que ele estivesse a sós. Conheci os amigos dos amigos dele. Apontava pras minhas amigas quem era na hora do intervalo e aguardava, ansiosa fazer contato visual. Falei com ele. Viramos amigos. Me declarei pra ele e ele, despretensioso, disse que não podia namorar comigo e me ofereceu um Halls. 15 anos. Quando se tem 15 anos, você pensa que o “Não” do garoto que você gosta é o pior momento da vida. Tudo é intenso quando se tem 15 anos. Os hormônios gritam, as acne...